O RESGATE DA ALMA

A primeira vez que eu ouvi falar em Resgate da Alma foi no livro de mesmo nome, da autora Sandra Ingerman. O assunto me fascinou e pesquisei muito sobre ele, pois sentia que a técnica seria muito útil para mim, particularmente.

Anos depois, participei de uma vivência Resgate da Alma, no IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas, orientada pelo professor Vitor Hugo França, que foi muito profunda e acabou me levando a freqüentar o Grupo de Estudos da Sabedoria Ancestral (GESA), ministrado também por ele, quando então pude entender melhor do que se tratava e aprender como os xamãs realizam esse resgate. Aqui, apresento um vídeo do professor Vitor sobre a vivência:

Traumas associados a fatos marcantes e de intensa profundidade em nossa vida (físicos e/ou emocionais) – como conflitos em relacionamentos, perda de entes queridos, acidentes, perda material, abusos sofridos na infância e outros – podem gerar formas de fuga, que resultam na perda de partes de nossa essência (alma). Essas partes, devido ao choque, afastam-se do corpo e se perdem em uma “realidade não ordinária ou incomum”.

Pesquisando e estudando o xamanismo, Sandra Ingerman constatou que a maioria das culturas xamânicas em todo o mundo acredita que a doença está relacionada à perda de parte da alma (energia vital/essência). Em busca de respostas que explicassem o fato, ela conheceu poderosas técnicas utilizadas pelos xamãs, em estados alterados de consciência, para rastrear o mundo espiritual, encontrar e trazer de volta as partes perdidas da alma ao corpo do paciente.

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Ela explica que a perda da alma é, relativamente, um mecanismo útil da nossa psique, pois nos ajuda a sobreviver à dor daquele momento. Cita como exemplo um acidente em que há uma colisão frontal do veículo e diz: “o último lugar onde eu gostaria de estar seria no ponto de impacto do meu corpo; minha psique não poderia suportar esse tipo de dor. Então, ela se utiliza de um brilhante mecanismo de auto-proteção, onde uma parte de nossa essência (alma) sai do corpo, a fim de que não sintamos o impacto da dor”.

Em Psicologia, isso é chamado de “dissociação” e costuma ter diversos sintomas, como, por exemplo, a pessoa não se sentir plenamente em seu corpo, depressão crônica, tendências suicidas, síndrome de estresse pós-traumático, lacunas de memória, problemas de deficiência imunológica, vícios, compulsões e outros, que costumam ser tratados ao longo de muitas sessões de terapia, visando buscar meios de preencher os espaços vazios que ficaram em decorrência de um trauma. Quando após algum evento traumático a pessoa diz: “eu nunca mais serei a mesma depois de…”, provavelmente ocorreu a perda de um pedaço de sua alma.

Do ponto de vista xamânico, embora a perda de alma seja um mecanismo de sobrevivência, o problema é que a parte da alma quxamase se foi geralmente não consegue voltar por conta própria. Ela pode se perder, ser roubada ou mesmo ficar onde está por não saber que o trauma já passou e que é seguro voltar, perdendo totalmente o contato com este mundo.

Segundo os xamãs, a parte da alma que deixa o corpo vai para uma realidade não ordinária, onde espera até que alguém que tenha acesso ao mundo espiritual intervenha e facilite seu retorno.

Mircea Eliade, professor, historiador das religiões, mitólogo, filósofo e romancista romeno, já mencionava a técnica xamânica, dizendo que “a doença é atribuída ao afastamento ou roubo da alma, e o tratamento em princípio resume-se a encontrá-la, capturá-la e obrigá-la a retomar seu lugar no corpo do paciente. Apenas o xamã (que conhece o mundo espiritual) reconhece que a alma se afastou e é capaz de alcançá-la em êxtase e trazê-la de volta ao corpo”.

Segundo Sandra Ingerman, os xamãs utilizam alguns artefatos , como tambores, chocalhos, cristais e até armadilhas para capturar almas foragidas, e ainda não realizam essas jornadas espirituais sozinhos; contam com a ajuda de seu animal de poder e espíritos auxiliares para se orientar na realidade incomum. Mas ela acredita que a melhor forma de trazer uma alma de volta é convencendo-a a retornar por vontade própria.

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Feito isto, o xamã traz de volta aquele pedaço de alma, recolhendo-o em seu coração, num cristal ou “saco de remédio” (chamado medicine bag); depois ajoelha-se ao lado do paciente e, com as mãos em concha, leva ao centro cardíaco dele, soprando a alma de volta e visualizando sua entrada no corpo. Em seguida, ajuda o paciente a levantar-se e sopra novamente sobre o topo de sua cabeça, visualizando o processo. Finalmente, para “selar” o procedimento, o xamã agita seu chocalho quatro vezes, no sentido horário, ao redor da pessoa e, quando esta abre os olhos, ele dá as boas vindas à parte da alma que voltou.

É um processo muito emocionante, que nos toca de maneira profunda, e que continua atuando na psique do paciente por algum tempo. Cabe à pessoa levar a efeito a reconciliação com a parte da alma que recuperou, de modo que ela se “sinta novamente em casa”.

Esta vivência vale muito a pena e também o estudo sobre o assunto, que é fascinante. Por isso indico o professor Vitor Hugo França, que orienta essas vivências periodicamente no IPPB, e também a leitura do livro Resgate da Alma, de Sandra Ingerman (Vida e Consciência Editora).  Veja no vídeo abaixo Luiz Gasparetto falando sobre a obra.

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